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A relação de obesidade e disfunção erétil



Todos sabemos que estar acima do peso ou tornar-se obeso não é bom para a saúde de ninguém. Mas seria o excesso de peso uma das causas da disfunção erétil? Quais são os efeitos do excesso de peso na vida sexual das pessoas e será que a adoção de um estilo de vida saudável pode ser parte importante no tratamento de pacientes com esta disfunção?

Dados do IBGE e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) são unânimes, o brasileiro vem ganhando peso de forma alarmante. Uma pesquisa realizada em 2010 mostrou que mais de 50% dos brasileiros estão acima ou muito acima do peso. Destes, mais de12% são considerados dentro do quadro de obesidade. Além disso, 37% dos que se encaixam em algum grau de obesidade admitem o uso de medicamentos para controle da ereção.  7591

O Dr. Ira Sharlip, da Associação Americana de Urologia aponta que a obesidade é um fator importante na condição da disfunção erétil pois homens obesos têm risco elevado de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes – uma complicação séria e altamente associada aos problemas de ereção. Ainda segundo o Dr. Ira, 50% dos indivíduos com diabetes sofrem de algum grau de disfunção erétil, e se for obeso, o risco de tornar-se diabético é de duas a três vezes maior que em indivíduos com o peso sob controle.

Aqui no Brasil, o Dr. Jorge Jamili, geriatra e coordenador do Grupo Longevidade Saudável no Rio de Janeiro, é categórico “não há dúvida de que o aumento de casos de disfunção erétil está relacionado ao aumento da obesidade entre os brasileiros”.

Jamili explica que quando uma pessoa engorda ocorre o desequilíbrio do hormônio insulina e do seu contrarregulador glucagon, o que faz com que a produção de insulina seja cada vez maior em decorrência da resistência que o corpo desenvolve a esse hormônio.

“O tecido adiposo hipertrofiado dos obesos produz uma excessiva quantidade da substância conhecida como leptina, que tem por finalidade sinalizar ao cérebro a saciedade produzida pelo alimento”.

A leptina exerce “ação direta sobre as células localizadas nos testículos que produzem a testosterona, e as células responsáveis pela produção de espermatozoides”. E se os níveis de testosterona diminuem, cai também a libido.

A ereção peniana é um processo complexo que envolve vários sistemas do corpo. Na hora da relação, quando o homem é estimulado sexualmente, o cérebro transmite impulsos nervosos para os nervos penianos. Esses nervos produzem uma substância química, que causa o aumento do fluxo sanguíneo no pênis.
No caso de obesos, que estão com o metabolismo seriamente afetado pela confusão hormonal causada pelo excesso de insulina, a produção das substâncias químicas envolvidas no processo da ereção é seriamente afetada.
Lógico que, em se tratando de disfunção erétil, devemos sempre considerar outros fatores, como os psicológicos: depressão, ansiedade e stress. Mas em obesos esses fatores já são, na grande maioria das vezes, efeitos colaterais ou até mesmo causadores do aumento do peso.

Dr. Jamil complementa ainda que a redução nos níveis de testosterona, devido ao quadro de obesidade, pode trazer uma série de problemas para a saúde.

“A testosterona é o hormônio que impulsiona o homem a concretizar suas metas. Sua redução no organismo está relacionada com depressão, queda do desempenho físico, falta de foco mental, diminuição do entusiasmo, sarcopenia (perda de massa magra), queda da resistência a doenças e de entusiasmo pela vida. Na realidade, ocorre aceleração do envelhecimento do corpo, da mente e da alma.”

Porém mesmo nos casos mais complexos, o quadro pode melhorar com a mudança de hábitos alimentares.

Um estudo recente publicado no Jornal da Associação Americana de Medicina, demonstrou que em homens obesos que apresentavam disfunção erétil, a redução do peso e a mudança do estilo de vida melhoraram a função sexual.

A pesquisa foi realizada com cerca de 400 homens com idade média de 40 anos, divididos em grupos de acordo com o peso e constatou que 60% dos participantes que faziam parte do grupo de pessoas acima do peso tinha algum tipo de distúrbio erétil contra 21% de casos no grupo que mantinha o peso sob controle.

Foram introduzidas então, mudanças na dieta nos participantes e todos tiveram redução de peso e melhora considerável nas atividades sexuais. Mesmo nos mais obesos.
“O ideal é procurar fazer a correção hormonal, eliminando o desequilíbrio, o que levará à melhora dos dois aspectos: tanto da ereção como da libido – uma vez que a obesidade compromete diretamente os eixos hormonais, sobretudo a testosterona que é o hormônio masculino”.
O tratamento para disfunção erétil é individual, multidisciplinar e depende de cada paciente e seu estilo de vida, mas existem algumas recomendações simples que ajudam a controlar a obesidade, como:

  • Evitar alimentos ricos em gorduras trans ou processados;
  • Evitar o consumo de açúcar, pois alguns estudos indicam que ele é mais prejudicial à saúde do que o excesso de sal;
  • Evitar alimentos que contêm muito sódio;
  • Praticar atividades físicas aeróbicas ao ar livre diariamente;

A atividade sexual faz parte de uma vida rica e saudável, mas nosso estilo de vida moderno aliado ao consumo desenfreado de alimentos industrializados bagunçou a equação metabólica e reduziu a testosterona à níveis perigosamente baixos.

Por isso é preciso se cuidar, consultar um médico regularmente e buscar orientação profissional assim que surgir um sinal de problema.

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